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Eu
me chamo Elizabeth
Há três elementos encantadores no filme Eu me chamo Elizabeth:
a fotografia, o trabalho dos atores ( em particular o trabalho de Alba
Gaia Kraghede Bellugi no papel da Elizabeth) e a delicadeza e sensibilidade
do roteiro.
O filme nos mostra a visão de mundo de uma criança de dez
anos, seus medos, seus fantasmas, sua solidão e sobretudo sua necessidade
de companhia. Os problemas de Elizabeth se agravam quando sua irmã
é matriculada no colégio. Seus pais estão a caminho
da separação e a menina sente-se só. O pai, psiquiatra
em um sanatório, não consegue dar à filha o carinho
que esta necessita.
A companhia mais fiel e próxima da menina é uma criada muda,
paciente do sanatório. A situação torna-se interessante
quando um paciente foge da clínica e passa a residir clandestinamente
no jardim da casa de Elizabeth. Carente, ela encontra nele um amigo, alguém
com quem partilhar a solidão.
O trabalho de figurino e cenário dá ao filme uma atmosfera
de conto de fadas, contribuindo para uma inteiração entre
o universo interior da menina e a sua percepção fabulosa
do mundo.
Como ninguém pode permanecer criança para sempre, o filme
sugere ao público as angústias que a percepção
da realidade traz à personagem. A ruptura com a infância
surge com a aquisição da consciência de que o mundo
não é feito de sonhos. O final do filme prende-se a uma
espécie de ritual de iniciação, pois Elizabeth tem
que vencer seus medos, adentrando a casa que julgava assombrada. Uma vez
vencido o medo, nada mais há para ser mostrado, pois a menina passa
da infância para a vida adulta. Fica ao público a idéia
bastante sugestiva de que o fim do filme coincide com o princípio
da consciência da realidade. A vida infantil e lúdica de
Elizabeth chega ao fim. O mundo lúdico do adulto que se dispôs
a assistir ao filme também.
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