Construindo nosso mundo interno

Nunca se falou tanto em alcançar a felicidade como nos dias de hoje. Mesmo sabendo que felicidade é um conceito relativo, que representa momentos de alegria ao longo de uma vida. Só que isso nem sempre é tão racional, pois que em um mundo dinâmico e imediatista como o nosso, o que vale, são as imagens que formamos e que são veiculadas pelos meios de comunicação, pelas propagandas, pelos filmes de Hollywood, pelas novelas, literatura e por fim, pelas fantasias que construímos depois desse arsenal de mensagens e informações recebidas.
A questão é que pouco ou nada sabemos como nossa mente constrói nossa personalidade, nossa identidade emocional e nossa motivação. Quando temos um pensamento, ele cria emoções e sentimentos que resultam ou não em ações. Cada vez que repito esse pensamento, ou outro pensamento muito próximo da natureza do primeiro, meu cérebro abre um “arquivo” (como num computador) onde são armazenadas todas as construções mentais compatíveis com esses pensamentos.
Se a natureza desses pensamentos for positiva, esse arquivo nos impulsiona para mais pensamentos que vão criar emoções e sentimentos positivos e por fim, ações positivas. Mas se forem negativos, todo esse esquema a seguir será negativo. Ou seja, compatível com a natureza do que é construído mentalmente. Assim, vamos começar a entender a força da expressão do “cogito” de Descartes: “Penso, logo existo”. Ou então, ”o homem é a medida de todas as coisas”, como diria Protágoras (filósofo grego e um dos expoentes da corrente filosófica Sofista). Mas a cereja do bolo é a ação final. Pois ela é quem cria os padrões de comportamentos.
O padrão de comportamento funciona como uma diretriz, um leme, uma bússola a dirigir nossa vida. Com uma “força interna” que nos impulsiona para os territórios de uma paisagem mental compatível com a construção interior. A natureza nos deu esse mecanismo para que tivéssemos condições de simplificar nosso sistema de aprendizado, uma vez que ao criar a “repetição”, estaríamos automatizando esse aprendizado para que pudéssemos aprender algo novo. Facilitando nosso conhecer e também economizando energia física e mental. Entendemos agora, porque é tão difícil modificar um comportamento, mesmo quando ele é palpável (mania ou vício). Imaginem então, quando ele não é tão perceptível.
Sabemos, portanto, que para alcançarmos tudo o que nos enche os olhos no mundo de hoje, precisamos nos dedicar muito. Aquele bom emprego, aquela casa dos sonhos, mesmo o relacionamento estável, as viagens, a realização profissional e de vida e tudo o mais que nos é oferecido magicamente através de mil formas como já vimos acima, requer muito investimento. Muito investimento no agir (ação).
Falamos tudo isso, com a intenção única e exclusivamente de chamar a atenção de todos, sobre um comportamento que está sendo construído em nossa sociedade como natural e “fazendo parte da idade” dos nossos jovens e inclusive adultos. Que é sonhar com muito, mas que vão alcançar pouco. Vão alcançar pouco não porque não existe construção interna para isso. Só que são construções internas para o menor esforço, pelo menor investimento na ação. E consequentemente, uma paisagem interior povoada de querer, diferente daquilo que foi construído. Resultado: frustração, insatisfação e baixa estima. Tudo o que não queremos que nossos jovens façam - de inadequado - quando olhamos por nossa volta, pode acabar bem próximo deles. Por simples desconhecimento nosso – e não por falta de boa vontade – sobre como funcionam nosso mundo interior e como ele é construído.
Ter uma tarefa diária em casa, uma “obrigação” a cumprir, passa bem longe da imagem social que estamos passando aos outros. Tem a ver com o tipo de jovem ou mesmo de homem, que queremos ter e devem ser nossos filhos.

Paulo José de Sousa - Prof. e Psicólogo do Quarup-Objetivo

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